O assassinato de Carlos Castro em Nova Iorque |» 'Dossier OCA'



Na rubrica Dossier OCA, falamos um dos crimes mais mediáticos e chocantes da história recente de Portugal que foi precisamente há 15 anos, ocorrido em Nova Iorque, o homicídio do conceituado jornalista e cronista social português Carlos Castro cometido pelo então jovem modelo Renato Seabra.

Foi a 07 de janeiro de 2011, no quarto 3416 do Hotel InterContinental, em Times Square, Nova Iorque. Os pormenores que envolveram os bastidores da relação, os requintes de malvadez do ato e o desfecho judicial foram recuperados em pormenor através do acesso aos documentos oficiais do Ministério Público norte-americano.

Renato Seabra, natural de Cantanhede, tinha 21 anos, era estudante universitário e aspirava a uma carreira de modelo no mundo da moda, tendo participado no programa de televisão Salve-se Quem Puder e Á Procura do Sonho. Carlos Castro, de 65 anos, era uma figura incontornável do jornalismo social em Portugal, foi fundador da revista Dona (1992-1994), colaborou os principais jornais e revistas tais como o Correio da Manhã, VidasNova Gente e na TV Guia onde escrevia a sua última crónica intitulada Chique & Choque e era comentador de programas de entretenimento nos três canais generalistas RTP, SIC e TVI.

Antes do Crime

Renato e Carlos com uma amiga do cronista em Nova Iorque.

Ambos conheceram-se através de mensagens no Facebook em outubro de 2010. Renato Seabra procurou aproximar-se do cronista com o objetivo consciente de obter influência, apoio financeiro e contactos para impulsionar a sua carreira na moda. Em troca, Carlos Castro assumiu o papel de benfeitor (apelidado pela imprensa americana de "Sugar Daddy"), oferecendo-lhe roupas de marcas de luxo (como a Versace) e viagens.

A 29 de dezembro de 2010, os dois viajaram para Nova Iorque para passar a Passagem de Ano. No entanto, a convivência revelou atritos profundos.

Dias antes do crime, Renato começou a demonstrar sinais de grande perturbação e manifestou dúvidas profundas sobre a sua própria identidade sexual, questionando se queria continuar a manter uma relação homossexual. O jovem exigiu regressar imediatamente a Portugal. Numa forte discussão no quarto, Carlos Castro confrontou-o e afirmou que já lhe tinha comprado o bilhete de avião para voltar sozinho, mas Renato confessaria mais tarde que não acreditou no cronista.

O Crime Violento

Na tarde de 07 de janeiro de 2011, a tensão no quarto 3416 atingiu o limite. Renato Seabra sofreu um violento surto de fúria e frustração motivado pelo colapso da relação e pela vergonha da situação.

A agressão estendeu-se por cerca de uma hora e caracterizou-se por uma violência extrema:

Renato esmurrou Carlos Castro violentamente até lhe partir vários ossos da face.

Agrediu o jornalista idoso usando objetos pesados do quarto, incluindo uma cadeira e um monitor de televisão arremessado contra a cabeça, que desferiu o golpe fatal.

Com recurso a um saca-rolhas metálico, Renato Seabra infligiu tortura e mutilou sexualmente a vítima, cortando-lhe os testículos, uma orelha e os lábios.

Depois do Crime

Após o homicídio, Renato tomou banho, vestiu um fato Versace que Carlos Castro lhe tinha oferecido e abandonou o quarto. Na receção do hotel, cruzou-se com amigas do cronista que o esperavam para jantar. Renato informou-as falsamente de que Castro "não ia sair" e abandonou o local apressadamente. Suspeitando do comportamento, as amigas exigiram aos funcionários do hotel a abertura da porta, deparando-se com o corpo nu e desfigurado no chão.

A unidade de investigação da polícia de Nova Iorque (NYPD) chegou ao local às 22h40. Encontraram um quarto em desalinho absoluto, recolhendo 93 provas biológicas e materiais.

Renato Seabra deambulou por Manhattan e tentou cortar os pulsos. Acabou por dar entrada no Hospital Roosevelt para receber tratamento médico, local onde foi localizado e detido pela polícia na mesma noite. Posteriormente foi internado sob vigilância psiquiátrica estrita na ala prisional do Hospital Bellevue, onde demonstrou comportamentos bizarros e inadequados antes de ser transferido para a temida prisão de Rikers Island.

O Julgamento e a Pena

O julgamento arrancou a 05 de outubro de 2012, em Nova Iorque. A Defesa tentou provar que Renato Seabra era inimputável, alegando que este agira sob um surto psicótico e mania aguda (transtorno bipolar) que o impedia de distinguir o certo do errado.

A Acusação desmontou a tese de loucura, provando que o crime foi motivado por fúria, sádica vingança e frustração (malingering ou simulação de sintomas).

A 21 de dezembro de 2012, Renato Seabra foi considerado culpado de homicídio em segundo grau e condenado a uma pena de 25 anos de prisão a perpétua.

O estado atual de Renato Seabra

Imagem inédita de Renato Seabra

Após passar mais de uma década na prisão de alta segurança Clinton Correctional Facility, o ex-modelo foi transferido para a Attica Correctional Facility. Renato Seabra mantém-se detido nos Estados Unidos, elegível para solicitar o primeiro pedido de liberdade condicional apenas ao fim de cumprir os 25 anos mínimos de prisão efetiva, embora a sua defesa continue a tentar submeter moções e novas estratégias de recurso judicial.

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