Ficou conhecida através do concurso Publionário. Na rubrica Os Tesourinhos do Cantinho, recordamos a extinta Tele Guia, uma revista-irmã da TV Guia, que foi lançada há 34 anos e quase ficou caída dos esquecimento coletivo da memórias dos portugueses nos tempos de hoje.
Lançada em outubro de 1992 pela TV Guia Editora (então pertencente ao universo da RTP), a revista Tele Guia foi criada com uma missão estritamente comercial: ajudar a RTP a combater a perda de telespectadores para a recém-estreada SIC. Ao contrário da sua "irmã mais velha" (a tradicional e volumosa revista TV Guia), a Tele Guia adotou um formato de bolso (pocket), inovador para a época, mais prático, direto e substancialmente mais barato.
| Herman José foi o primeiro rosto da primeira edição da Tele Guia. |
Concurso Publionário
O Publionário foi um dos concursos mais inovadores, agressivos e comentados da história da televisão em Portugal. Estreado a 3 de outubro de 1992 e emitido até 24 de abril de 1993 na RTP1, na altura denominado Canal 1, o formato não nasceu apenas como um programa de entretenimento, mas sim como uma arma de contra-ataque comercial estratégica para defender o canal público na chamada "Guerra das Audiências".
Em outubro de 1992, as emissões da SIC (o primeiro canal privado português) arrancaram, quebrando o monopólio da RTP. Para segurar o público, a RTP e a sua editora oficial conceberam um plano que unia a imprensa escrita ao ecrã através de incentivos financeiros extraordinários. O veículo escolhido foi o Publionário, um concurso estreado no outono de 1992, e a revista Tele Guia, criada especificamente para servir de suporte físico ao jogo.
A revista continha os cupões oficiais que os leitores tinham de preencher e enviar por correio para se habilitarem a automóveis e prémios de milhares de contos. Esta sinergia garantiu-lhe tiragens massivas e quiosques esgotados logo nas primeiras semanas de vida.
Apesar do sucesso inicial avassalador e das tiragens massivas da revista, a fórmula do Publionário revelou-se de manutenção complexa e financeiramente desgastante a longo prazo. O concurso acabou por ser descontinuado em abril de 1993, escassos meses após o seu lançamento.
| A atriz e apresentadora Margarida Reis foi uma da "senhoras da mascarilha" |
A sobrevivência da Tele Guia
Quando o concurso Publionário foi cancelado, muitos previram o fim rápido da publicação. No entanto, a Tele Guia já tinha conquistado um público fiel que apreciava a sua portabilidade e preço competitivo.
A direção editorial operou uma transição inteligente, transformando-a num guia prático e rápido de televisão e lifestyle.
Durante o resto da década de 90, a revista contava com as grelhas de programação nos canais RTP1, RTP2, SIC e, mais tarde, na TVI, os resumos das telenovelas, entrevistas a figuras públicas e contava com o destacável Mais Tele Guia que continha fichas de culinária, horóscopo e consultório.
| João Pinto e "José Esteves" no programa Parabéns de Herman José fazia capa da Tele Guia em 1995. |
| Judite Sousa e o seu filho André Sousa Bessa, falecido em 2014, faziam capa em 1995. |
Em 1995, a revista lançava um passatempo alusivo à telenovela brasileira 74.5 Uma Onda no Ar que era emitida no Canal 1 da RTP.
| A atriz Maria de Lima, a Tita da série de humor A Mulher do Senhor Ministro da RTP na capa de dezembro de 1995. |
A revista Tele Guia acabaria por ser suspensa no início de 1996.
Concurso Sorte Grande e o fim da revista
Depois do fim da Tele Jogos nos finais dos anos 2000, quatro anos depois, a Tele Guia regressou à bancas sob o nome de Tele Guia - A Revista da Sorte Grande, alusivo ao concurso Sorte Grande emitida da RTP1 na altura, apresentado por Pedro Ribeiro, sendo substituído por Serenella Andrade e Isabel Angelino e contava com a programação da TV Cabo.
A revista acabaria por ser descontinuada em novembro de 2001, devido ao aparecimento de outros títulos concorrentes em formato pocket e a restruturação financeira da TV Guia Editora que passaria designar-se de TVG – Editora de Publicações e Multimédia, Lda (proprietária dos títulos TV Guia e Guia) até à venda em 2002 adquirida pelo grupo Cofina (atual Medialivre).
Deixando para trás um legado de quase uma década nas bancas portuguesas, lembrada como a revista que provou que um formato pequeno e económico podia ter um impacto gigante na rotina semanal das famílias.


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